Matéria Especial | Um pouco sobre o Cinema Novo
Pode se dizer que o Cinema Novo é o movimento cinematográfico mais importante da história do cinema brasileiro.
Antes de
entrar no assunto, é importante contextualizar o que estava acontecendo na
indústria cinematográfica brasileira na época do surgimento do movimento na metade
dos anos 50.
A
indústria cultural brasileira estava passando problemas que impediam a
realização de produções cinematográficas e, consequentemente, a produção de
obras com grandes qualidades técnicas.
Devido a
isso, alguns jovens e intelectuais começaram a discutir um novo rumo para o
cinema nacional.
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| Nelson Pereira Dos Santos |
A
realização de filmes nacionais estava voltada para a formula “Hollywoodiana” da
época, principalmente longas musicais e comedias, que ganharam o nome de
Chachadas e ironicamente significava espetáculos de baixa qualidade.
A ideia
desses jovens era aproximar o cinema de elementos mais realísticos da mesma
forma que o neorrealismo italiano na Itália e a Nouvelle Vague na França
estavam fazendo.
A máxima
do movimento era “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”, que era exatamente
o que os cineastas do cinema novo faziam, deixando os obstáculos causados pela
falta de recursos técnicos e financeiros em segundo plano.
A partir
daí, realizar filmes com apelo popular capaz de discutir os problemas e as
questões sociais, como a pobreza por exemplo, foi o grande foco do movimento,
usando de uma linguagem inspirada em nossa própria cultura.
Mas em que momento surgiu o movimento Cinema Novo?
Em 1955,
o diretor Nelson Pereira dos Santos exibiu o filme “Rio 40 Graus” que é
considerado o pontapé inicial do Cinema Novo. O filme conta a história de 5
garotos que vendem amendoins na cidade. É uma narrativa simples preocupada em
mostrar o panorama da vida humilde da época através do olhar dos garotos.
Após
esse longa, os historiadores consideram que o cinema novo é dividido em 3 fases.
A
primeira fase vai de 1960 a 1964. Essa fase foca em uma temática voltada aos
problemas enfrentados no sertão nordestino. A fome, a desigualdade social, a
exploração e a alienação religiosa estavam muito presentes nas obras.
Foi
nessa etapa que se destacaram os cineastas Cacá Diegues com “Ganga Zumba” de
1963, “Vidas Secas” também de 1963 do próprio Nelson Pereira dos Santos e “Deus
é o Diabo na Terra do Sol” do famoso Glauber Rocha de 1964.
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| Vidas Secas (1963) |
A
segunda fase do movimento aconteceu durante os anos de 1964 a 1968. Nesse tempo
o Brasil passava pela ditadura militar e o discurso em favor da ordem social
passou a figurar dentro das obras. Os filmes em destaque desse período são: “O
Desafio” de 1965 do diretor Paulo César Saraceni, “O Bravo Guerreiro” do
Gustavo Dahl de 1968 e o “Bandido da Luz Vermelha” de 1968 do diretor Rogerio
Sganzerla.
Infelizmente
a máquina de repressão do governo acabou desgastando o movimento e os cineastas
foram perdendo a liberdade artística, não só os cineastas mais a maioria dos
artistas da época. Nessa fase o movimento começou a se aproximar da proposta do
tropicalismo e foi se apagando.
Devido a
esse desgaste chegamos na terceira fase do movimento que vai do ano 1968 a
meados de 1972, aonde começaram a se destacar elementos típicos do território
nacional como os indígenas. Foi nessa fase que se destacou o longa “Macunaíma”
de 1969 do diretor Joaquim Pedro de Andrade baseado na obra literária do mesmo
nome, “Como era gostoso o meu francês” de Nelson Pereira dos Santos do ano de
1971 e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” de 1968 do Glauber Rocha.
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| Glauber Rocha |



