Resenha: Turma da Mônica-Laços O Filme (2019)
É quase impossível encontrar um brasileiro que não tenha
sido tocado pela Turma da Mônica em algum momento de sua vida. Criados
inicialmente em 1959 por Mauricio de Souza, a turminha mais amada do Brasil
possui uma vasta coleção de gibis, licenciamentos em brinquedos, home vídeo e
diversos episódios animados na internet. E assim, esta grandiosa trajetória e
presença constante na vida das pessoas que a Turma da Mônica chega aos cinemas no
live-action “Laços”.
Baseado na Graphic Novel homônima de 2013, escrita pelos talentosos
irmãos Vitor e Lu Cafaggi, a trama acompanha uma grande aventura da turma
envolvendo o desaparecimento do cãozinho floquinho, o cachorro do Cebolinha. Após
as investigações no bairro do Limoeiro, Mônica (Giulia Benite), Cebolinha
(Kevin Vechiatto), Cascão (Gabriel Moreira) e Magali (Laura Rauseo) decidem partir
em uma missão para resgatar o pobre cachorro.
- A Tulminha Mais Amada do Blasil -
Desde a primeira cena, percebe-se o cuidado que a equipe de produção
e o diretor Daniel Rezende (Bingo – O Rei das Manhãs) teve para adaptar a estória
de “Laços”. A ambientação do bairro do Limoeiro, os quartos dos personagens,
suas casas e figurinos são excepcionalmente detalhados na trama. Por sua vez, a
caracterização dos personagens é realmente impressionante, parece que por mágica
a turma pulou pra fora dos quadrinhos e ganhou vida nas telas. Giulia Benite
nasceu para interpretar a Mônica, enquanto Kevin Vechiatto mostra muito talento
em trocar os Rs pelos Ls com naturalidade como o Cebolinha. Laura Rauseo entrega
uma Magali com muito carisma e brilho nos olhos e Gabriel Moreira e tão divertido
quanto a versão de Cascão das estórias que amamos.
4 jovens atores que mostram as melhores versões cinematográficas
dessa turma. Um quarteto que com certeza promete muito brilho a um universo que
está apenas dando os seus primeiros passos.
- A Carta de Amor de Daniel Rezende –
O diretor Daniel Rezende demonstra entender a função e a
força de um filme da Turma da Mônica apostando na simplicidade. Embora o roteiro
de Thiago Dottori seja baseado em uma Graphic Novel (muitas crianças que
conhecem a turma ainda não sabem ler), Rezende tenta não deixar o filme
complexo, muito pelo contrário, ele vai na direção oposta e ressalta a beleza
em cada cena deixando que aquela sensação gostosa de um filme de sessão da
tarde.
Turma da Mônica: Laços – O Filme não é, e nem tem a pretensão
de ser uma obra-prima do cinema, mas eu digo com todas as letras que é o filme
mais importante a estrear no circuito comercial brasileiro em 2019. A trama e
os diálogos, claro, são direcionados ao público infantil, mas isso não
significa que adolescentes e adultos não vão sair da sala tocados. É impossível
assistir ao longa e não lembrar a infância ou recordar os momentos em passávamos
horas lendo ferozmente os gibis da turma.
Enquanto buscam por Floquinho, personagens descobrem o poder
da amizade e a necessidade de enfrentar os próprios medos e inseguranças para
alcançar um objetivo maior. E quem nunca passou por isso?
Ao final da sessão e olhar ao redor a sala de cinema, o que
eu vi foi um sorriso sincero em cada telespectador seja adulto ou criança, e o
que senti foi um quentinho no coração e uma felicidade sem fim.



