Resenha: Capitã Marvel (Captain Marvel - 2019)
É impossível falar de “Capitã Marvel” sem citar “Mulher
Maravilha”, seja pelo pioneirismo da DC em filmar um longa focado em uma
heroína feminina, ou seja, pela influência que o longa trouxe a indústria.
- Capitã Marvel -
Capitã Marvel conta a história de uma cidadã Kree chamada
Vers, que possui lapsos de memórias de uma vida desconhecida, poderes
incontroláveis e que está em treinamento para se tornar uma das defensoras de
seu povo. Em uma das missões, ela é raptada pelos asquerosos Skrulls, que
“liberam” acidentalmente sua mente e ela parte para o nosso planeta em busca de
respostas.
- Apenas um Blockbuster -
Com os holofotes em cima da Capitã Marvel e com uma
grande responsabilidade de não errar, era óbvio que a Marvel iria jogar na zona
de conforto. Sem espaço para experimentação como em Thor: Ragnarok. Sem espaço
para tons políticos e sociais como em Pantera
Negra. Simplesmente
um divertido blockbuster de
super-heróis com o que o estúdio consegue produzir de melhor com a já tão
conhecida “Fórmula Marvel”.
- Mas e bom ou ruim ? –
Digamos que vai depender muito do
ponto de vista de cada um e do que procuram em uma sala de cinema –
especificamente com filmes do gênero. De uma maneira técnica, o filme é muito
bem feito. O roteiro abre mão da linearidade para passar para o espectador a
mesma sensação de lacunas na memória da protagonista, a trama é bem construída,
os relacionamentos dos personagens são críveis e os atos são bem definidos. Mas
quem esperava algo mais, seja algo inovador ou um ponto de vista mais
explicitamente feminista, pode se decepcionar. Não que o filme não flerte com
temas de empoderamento, muito pelo contrário, porem essas questões estão na
sutiliza, quase tímidas o que pode decepcionar algumas mulheres. Porém,
é inegável que o filme procura ser inspirador para qualquer mulher, e mesmo com
a Marvel jogando de forma segura, tem material suficiente para que todas se
sintam representadas.
- Brie e Jackson –
Brie Larson está confortável no
papel e entrega uma personagem interessante. Sua Carol Danvers é durona e às
vezes até um pouco arrogante na confiança em suas habilidades, mas é altruísta
e possui carisma suficiente para carregar o filme. A química da atriz com
Samuel L. Jackson gera excelentes cenas com Nick Fury, e é interessante vê-lo
aqui como um personagem completamente diferente do superespião misterioso que
estamos acostumados.
- A Guerra Kree / Skrull -
A Guerra Kree/Skrull, pano de
fundo do filme, é apenas superficialmente arranhada, mas introduz elementos
suficientes para ser reintroduzida no futuro. Dentro dessa construção, usa de
alguns plot twists, uns interessantes e outros extremamente previsíveis, que
acabam levando a um terceiro ato cansativo. Existem pelo menos duas, uma no
primeiro ato e outra no último, que exigem uma atenção e esforço homéricos do
espectador, que mesmo assim vai se sentir meio tonto e com a sensação de que
está perdendo algo. Isso é um problema, pois tira o público momentaneamente de
uma sequência que exigiria total imersão.
- Pode Vim Thanos -
Capitã Marvel padece do
mesmo problema de Homem-Formiga
e a Vespa: preparar o palco para o evento que realmente importa –
com a diferença de que esse filme tem muito mais a acrescentar ao Universo
Marvel como um todo, obviamente. A Marvel Studios conseguiu o que mais
queria, que era apresentar a Capitã
Marvel devidamente
a um público que precisa se preocupar o suficiente com ela para a importância
de seu papel em Vingadores: Ultimato.



